Nos EUA, a escolha de uma boa escola para os filhos está entre as prioridades das famílias
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Escolha de escola nos EUA requer mente aberta e muita pesquisa

Por Adriana Brasileiro

A escolha de uma boa escola para os filhos está entre as prioridades das famílias que saem do Brasil de mudança para um outro país. A qualidade da escola é o que muitas vezes define como vai ser a adaptação das crianças ao novo país e a seleção da instituição que mais se adequa ao perfil de cada família é um passo muito importante que demanda tempo e muita pesquisa. Miami oferece muitas opções de escolas: instituições públicas, que são as escolas tradicionais de bairro; escolas que oferecem programas “magnet’’, que têm um foco maior em ciência, tecnologia, inovação, artes etc.; e as “charter schools’’ que são escolas independentes que funcionam como escolas públicas (são gratuitas), mas operam com financiamento privado e do governo. E, claro, muitas escolas particulares e religiosas.
Para reduzir o estresse e a ansiedade no processo de escolha, Beatriz Nahuz, sócia da Prep Education Consulting, diz que é importante ter a mente aberta e não tentar traçar paralelos com o sistema educacional brasileiro.

“Tudo aqui funciona de maneira muito diferente, cada escola tem as suas particularidades e suas regras e muitas vezes o que deu certo para aquele seu amigo que já se mudou para Miami não vai funcionar para você’’, diz a consultora, que com suas sócias Renata Castro e Claudia Murad auxilia famílias no processo de escolha e admissão em escolas públicas e privadas em Miami e Orlando.

Nos EUA, o sistema público segue um modelo de organização distrital, no qual cada bairro ou distrito tem escolas que atendem às famílias residentes naquela área. Por essa razão, muitas famílias que optam pelo sistema público escolhem primeiro a escola e depois procuram moradia no distrito correspondente, já que residentes têm a matrícula dos filhos garantida na escola do distrito. As escolas particulares aceitam alunos de qualquer bairro e normalmente têm um processo de seleção que inclui entrevistas e que pode ser bastante rigoroso.

Em linhas gerais, o ensino obrigatório começa no kindergarden, o equivalente ao ‘’pré’’ no Brasil, quando a criança tem 5 anos de idade. A etapa que vai do pré até a 5ª série é chamada de elementary school. Depois vem a middle school, que vai da 6ª até a 8ª série, em geral. A high school vai da 9ª até a 12ª série. Algumas escolas oferecem tanto as séries da elementary quanto as da middle school e uma minoria oferece todas as séries.

As escolas públicas são gratuitas e seguem metodologias tradicionais com padrões, conteúdo e formas de avaliação definidos por cada estado. Elas são financiadas por impostos pagos pelos residentes dos distritos escolares e por verbas estaduais e federais. Escolas públicas são muito diferentes entre si, não só no que diz respeito à qualidade do ensino, mas também na maneira como o conteúdo é passado para os alunos. Muitos programas magnet, por exemplo, oferecem ensino verdadeiramente bilíngue, em que os alunos aprendem matemática e outras disciplinas em francês ou alemão, além das classes ministradas em inglês.

E os programas magnet normalmente são abertos para qualquer candidato. Ou seja, mesmo que a criança resida naquele distrito escolar, não terá sua matrícula garantida e precisará entrar em uma loteria. Algumas escolas oferecem programas chamados “gifted’’ ou “talented’’, direcionados a crianças com potencial de aprendizado acima da média. Uma mesma escola pode oferecer vários programas diferentes, além do currículo regular de escola de bairro.

E há ainda a opção de escolas “charter’’, nas quais há maior flexibilidade no currículo e atividades e normalmente a admissão é feita por meio de sorteio.
“A variedade de opções é muito grande, e o brasileiro que se muda para os EUA geralmente se surpreende com a dificuldade do processo de escolha de uma escola’’, diz Renata Castro, da Prep Education Consulting.