Category: Vida e Saúde

  • O silêncio dos berços e a opção de não ter filhos

    O silêncio dos berços e a opção de não ter filhos

    Por: Aline Mara Gumz Eberspacher

    Nos últimos anos, observou-se um aumento significativo no número de casais que optam por não ter filhos. No Brasil, embora a cultura familiar ainda seja forte, pesquisas recentes indicam uma elevação na proporção de casais que declaram não ter o desejo de ter filhos, seja por convicção pessoal ou por circunstâncias da vida. De acordo com dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, a proporção de casais sem filhos subiu de 16,1% em 2010 para 20,2% em 2022.

    Nos Estados Unidos, o cenário é semelhante. Segundo pesquisa do Pew Research Center, a parcela de adultos americanos com menos de 50 anos sem filhos que dizem ser improvável que venham a ter filhos aumentou de 37% em 2018 para 47% em 2023. A taxa de fertilidade nos EUA atingiu uma baixa histórica, com uma parcela crescente de mulheres entre 25 e 44 anos nunca tendo dado à luz.

    Essa tendência reflete mudanças estruturais na sociedade, influenciada por diversos fatores. A ascensão da mulher no mercado de trabalho é um dos principais elementos. Além disso, a decisão de não ter filhos passa por uma análise mais profunda das dinâmicas sociais, econômicas e ambientais do século XXI.

    Um dos pilares dessa escolha é o custo financeiro da criação de um filho. Educação, cursos de idiomas, atividades esportivas e outras práticas tornaram-se quase obrigatórias. Elas demandam não apenas recursos financeiros, mas também tempo e energia dos pais, muitas vezes comprometendo projetos pessoais e profissionais. Para muitos casais, o impacto financeiro é um fator decisivo.

    O contexto social atual também contribui para a complexidade da decisão. A violência urbana gera insegurança e apreensão quanto ao futuro dos filhos. As tensões geopolíticas e os conflitos armados em diferentes partes do mundo, amplificados pela mídia, suscitam dúvidas sobre o futuro da humanidade e o tipo de mundo que será deixado para as próximas gerações.

    Outro fator relevante é a crescente preocupação com o meio ambiente. As mudanças climáticas, com eventos extremos cada vez mais frequentes, geram receios sobre a qualidade de vida futura. A consciência ambiental e o debate sobre sustentabilidade também têm peso na decisão de muitos casais, que consideram o impacto populacional sobre os recursos naturais do planeta.

    Apesar disso, essa escolha não é isenta de críticas. O Papa Francisco, por exemplo, já classificou como egoísta a decisão de não ter filhos. No entanto, para muitos casais, essa é uma decisão consciente, pautada em valores e objetivos pessoais.

    Ainda assim, é inegável a importância que os filhos representam na vida de milhões de pessoas. A parentalidade é frequentemente descrita como uma experiência transformadora, que oferece propósito, amor incondicional e aprendizado. Ter filhos pode ampliar perspectivas e fortalecer vínculos familiares.

    Mas essa escolha exige responsabilidade. Criar uma criança requer tempo, dedicação, paciência, recursos e, principalmente, um compromisso real com o bem-estar físico e emocional do filho. Trazer uma criança ao mundo sem a devida preparação pode ter impactos negativos para todos os envolvidos.

    A decisão de ter ou não ter filhos deve ser feita de forma consciente, levando em conta não apenas os desejos individuais, mas também a capacidade de oferecer um ambiente seguro, amoroso e estimulante. Em uma sociedade plural, o respeito às diferentes escolhas é essencial.


    Sobre a autora:
    Aline Mara Gumz Eberspacher é doutora em Sociologia pela Université Paul Valéry, na França, e coordenadora de pós-graduação do Centro Universitário Internacional Uninter. A instituição é um dos maiores grupos do segmento educacional e uma das únicas de educação a distância no Brasil credenciada com nota máxima pelo MEC. Sediada em Curitiba (PR), já formou mais de 670 mil alunos e, hoje, tem mais de 580 mil estudantes ativos. Fora do Brasil, a Uninter oferece mais de 400 cursos EAD, com polos de apoio em cidades como Atlanta, Boston, Fort Lauderdale, Houston, Newark, Orlando, Salt Lake City e Washington-DC, além de unidades em Lisboa, Porto, Londres, Milão, Hamamatsu e Nagoya.
    Site: uninteramericas.com

  • A saúde mental não é luxo, é base: por onde (re)começar

    A saúde mental não é luxo, é base: por onde (re)começar

    Por: Rebeca Macedo


    No mês da saúde mental, um convite à consciência emocional com humanidade, presença e gentileza

    Maio é o mês da conscientização sobre a saúde mental nos Estados Unidos. Uma campanha que ganha cada vez mais relevância e urgência. Afinal, se há algo que os últimos anos nos mostraram com clareza, é que saúde emocional não é um luxo. É uma necessidade básica.

    Vivemos dias em que ser humano virou um ato de coragem. Produzimos, cuidamos, respondemos, entregamos… mas muitas vezes esquecemos de sentir. E quando sentimos, achamos que há algo errado conosco. Ignorar o que sentimos se torna automático. Mas esse automatismo tem custo: ansiedade, exaustão, crise de identidade, burnout.

    Talvez você esteja vivendo isso. Talvez conheça alguém que esteja. E talvez nunca tenha aprendido o que fazer com o que sente. É sobre isso que este texto fala. Não sobre fórmulas mágicas, mas sobre caminhos reais para cuidar da nossa saúde mental com mais humanidade e menos culpa.

    E a boa notícia? Não há nada de errado em sentir. O erro está em acreditar que devemos dar conta de tudo sozinhos e em silêncio.

    Emoção não é fraqueza
    Durante muito tempo e em muitas culturas fomos ensinados a “engolir o choro”, a “não fazer drama”, a “ser forte”. Emoções como raiva, medo e tristeza foram classificadas como negativas, indesejadas, perigosas.

    Chorar no carro, perder a paciência com o filho, sentir-se sobrecarregado só de olhar a caixa de entrada do e-mail. Tudo isso tem uma razão de ser.

    As emoções são bússolas internas. Elas apontam para nossas necessidades, nossos limites, nossos valores. Ignorá-las pode parecer força, mas é, na verdade, um tipo de abandono de si.

    Sentir não é sinal de fraqueza. É sinal de humanidade. Emoções são dados. Elas nos informam sobre o que importa, o que dói, o que ultrapassou um limite. Como diz a psicóloga Susan David, autora do conceito de agilidade emocional: “Emoções são dados, não comandos. Elas não dizem o que fazer. Mas nos mostram o que precisa de atenção.”

    Aquilo que aprendemos sem perceber
    Grande parte do nosso sofrimento emocional vem da forma como aprendemos ou não aprendemos a lidar com o que sentimos. Desde pequenos, recebemos mensagens implícitas: “Menino não chora”, “Vai passar, não é nada”, “Seja grato, pare de reclamar”.

    Esse tipo de educação emocional cria o que os psicólogos chamam de display rules, regras invisíveis sobre quais emoções são aceitáveis e quais devem ser escondidas. Levamos essas regras para a vida adulta, para os relacionamentos, para o trabalho, sem nunca questionar.

    Nomear é o primeiro passo para liberar
    Um dos caminhos mais poderosos para cultivar bem-estar emocional é aprender a nomear o que sentimos com mais precisão. Em vez de apenas dizer “estou estressado”, tente se perguntar: “Estou frustrado? Sobrecarregado? Me sentindo ignorado?”

    É quando gritamos por dentro que explodimos por fora. Não é só a fila que demora, o trânsito que não anda ou o cliente que reclama. É o cansaço acumulado, a autocobrança, o silêncio das nossas emoções que se tornaram invisíveis.

    A alma pede pausa. Pede colo. Pede um reencontro com quem somos de verdade, sem rótulos, metas, máscaras. E sabe por onde começa? Pelo simples gesto de se perguntar: “Como eu realmente estou hoje?”

    Quanto mais específico você for ao nomear a emoção, mais clareza terá sobre como cuidar dela. Emoções mal compreendidas nos controlam. Emoções reconhecidas nos libertam.

    Autoconhecimento: da filosofia à neurociência
    A frase de Sócrates “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses” nunca foi tão atual. Em um mundo hiperconectado e caótico, olhar para dentro é um ato de equilíbrio e sobrevivência.

    Saber o que nos afeta, o que nos ativa, o que nos limita, é o primeiro passo para criar relações mais saudáveis, conosco e com os outros. O autoconhecimento não é só uma virtude filosófica. É uma habilidade prática e urgente.

    Estabelecer limites também é um ato de amor
    Cuidar da saúde mental também passa por saber dizer “não”. Por entender que não dá para estar disponível o tempo todo. Que não somos salvadores de ninguém. E que cuidar de si mesmo é o único jeito real de cuidar dos outros com qualidade.

    Estabelecer limites com empatia é dizer: “Eu me importo com você, mas preciso estar inteira para estar com você”. É amar sem se anular.

    5 práticas para cuidar da sua saúde mental com afeto
    Se eu pudesse te entregar algo hoje, seria isso: um mapa de cuidado. Um lembrete de que você importa. E de que há caminhos possíveis.

    1. Nomeie o que sente com mais precisão.
      Em vez de dizer “estou estressado”, tente: “estou frustrado porque me sinto invisível” ou “estou triste porque não fui reconhecido”.
    2. Respeite seus limites, inclusive os invisíveis.
      Dizer “não” também é um ato de amor. Aprenda a se escutar antes de querer resolver tudo para os outros.
    3. Evite a positividade forçada.
      Não finja estar bem quando não está. Acolher o desconforto é o primeiro passo para transformá-lo.
    4. Crie rituais de pausa.
      Um chá ao fim do dia, uma música que te conecta, cinco minutos em silêncio. O descanso emocional não precisa ser grande, mas precisa ser constante.
    5. Peça ajuda. Sem medo. Sem culpa.
      Você não precisa carregar tudo sozinho. Terapia, rede de apoio, espiritualidade — o que te sustenta, te salva.

    Maio é um convite à consciência, não à perfeição
    Neste mês da saúde mental, o convite não é para estar 100% bem o tempo todo. O convite é para se escutar mais. Para criar espaço. Para não fingir que está tudo bem quando não está. Para sentir sem culpa. E para agir com amor.

    Se você conseguir, hoje, respirar um pouco mais fundo, se permitir sentir algo que tem evitado ou simplesmente nomear com honestidade o que está aí dentro… já é um começo. Já é autocuidado. Já é saúde mental.

    Como costumo dizer: às vezes, basta uma conversa honesta com você mesmo para começar a curar.


  • A voz além das palavras: o desafio de incluir crianças autistas

    A voz além das palavras: o desafio de incluir crianças autistas

    As formas de comunicação vão além da fala. Muitas crianças autistas, especialmente nas fases iniciais do desenvolvimento, se comunicam por gestos, expressões, olhares, sons — e todas essas formas são legítimas, é preciso ter um olhar mais empático, que reconhece e respeita diferentes modos de expressão.


    Diagnosticado com  autismo nível 1, o garoto B.S. de 7 anos, filho da cantora e escritora  Jessika Gonçalez sofreu discriminação em um ambiente que deveria ser de acolhimento, uma instituição religiosa para brasileiros na Califórnia, EUA.

    A história do garoto brasileiro de 7 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1, escancara o preconceito que muitas crianças enfrentam diariamente. Até recentemente, a criança apresentava dificuldades significativas de linguagem, o que se tornou motivo de exclusão em um ambiente que deveria acolher: a igreja. Por não se comunicar verbalmente, foi impedido de participar de uma peça teatral infantil

    “Ele queria muito participar, mas disseram que não podia. Isso partiu meu coração, por dois motivos, em primeiro lugar como mãe e em segundo como brasileira, pois a comunidade religiosa é uma comunidade de brasileiros, onde eu esperava ser acolhida com a minha familia”, relatou a mãe, emocionada.

    Casos como esse não são isolados. Crianças autistas, mesmo com alto grau de funcionalidade, enfrentam diariamente barreiras invisíveis impostas por uma sociedade que ainda não compreende as múltiplas formas de comunicação, expressão e socialização do espectro autista.

    Episódios semelhantes em outros ambientes, como escolas e espaços públicos, onde a falta de preparo de educadores e líderes comunitários reforça o ciclo de exclusão diariamente.

    “O preconceito não está só em não chamar para brincar, em participar do teatro. Ele está em não adaptar atividades, em não ouvir os pais, em não tentar entender o diferente”, afirma a mãe da criança, a cantora Jessika Gonçalez.

    A mãe salienta que tanto na escola quanto no serviço de saúde que atende o garoto, ele sempre foi bem tratado e acolhido, com todos os recursos disponíveis para o seu desenvolvimento, mas foi diferente na comunidade religiosa em questão.

    E concluiu que em outra igreja, desta vez americana, o garoto conseguiu participar do teatro, ser tratado com dignidade e ser incluído na comunidade.

    Especialistas alertam: a falta de informação gera exclusão.

    De acordo com a psicopedagoga Mariana Oliveira, o autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar a comunicação, a interação social e o comportamento, mas isso não significa limitação de potencial. “Cada criança autista é única. Quando negamos a participação delas por não se encaixarem em padrões tradicionais, estamos reforçando o capacitismo e prejudicando o desenvolvimento emocional”, explica.

    O caso também levanta um debate importante sobre o papel das instituições religiosas e educacionais na inclusão de pessoas neuro divergentes. A pedagoga e ativista em inclusão, Laura Mendes, lembra que “não basta dizer que acolhe, é preciso estruturar o acolhimento com ações concretas, formação e empatia”.

    Dados que reforçam a urgência da inclusão

    ·       Estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas vivem com o autismo no Brasil, representando aproximadamente 1% da população nacional.

    ·       Nos Estados Unidos, segundo o relatório mais recente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), divulgado em abril de 2025, estima-se que 1 em cada 31 crianças de 8 anos seja diagnosticada com autismo, representando 3,22% da população nessa faixa etária.

    ·       Segundo o Censo Escolar 2023, o número de alunos com autismo matriculados nas escolas brasileiras cresceu 48% em relação ao ano anterior, totalizando 636 mil estudantes.

    ·       Apesar do aumento nas matrículas, uma pesquisa revelou que 55,1% das crianças autistas já sofreram preconceito na escola por serem autistas.

    Esses dados evidenciam a necessidade urgente de promover a inclusão e combater o preconceito em todos os ambientes sociais.

    Uma infância marcada pela resistência

    Apesar dos desafios, o garoto hoje se comunica com muito mais desenvoltura. Sua história é, também, uma trajetória de superação, resiliência e amor familiar. Ainda assim, o episódio na igreja e outras situações similares deixam cicatrizes invisíveis.

    “A luta contra o preconceito passa, necessariamente, pela informação. Quanto mais a sociedade conhecer sobre o espectro autista, menos espaço haverá para exclusões como essa”, acrescenta Jessika.

    A história do menino é um reflexo de uma realidade enfrentada por muitas crianças autistas aqui no Brasil. É fundamental que instituições, educadores e a sociedade em geral façam uma reflexão sobre as barreiras (sociais, institucionais e afetivas) que impedem a verdadeira inclusão de crianças autistas e estejam preparados para acolher e incluir todas as crianças, respeitando suas particularidades e promovendo um ambiente de empatia e compreensão.

    Fonte: AL9 Comunicação

    @al9comunicacao

  • Como lidar com uma crise de ansiedade: 10 passos práticos

    Como lidar com uma crise de ansiedade: 10 passos práticos

    A ansiedade é uma resposta do corpo diante de situações que são interpretadas como ameaçadoras, ativando uma série de reações fisiológicas automáticas. Durante uma crise, o sistema nervoso simpático entra em ação, desencadeando mudanças rápidas no organismo para preparar a pessoa para o enfrentamento, mesmo que o perigo seja apenas percebido. Essas reações, embora comuns, podem causar desconforto, levando muitos a acreditar que estão fora de controle.

    Para a psicóloga Maria Klien, entender a fisiologia da ansiedade é um passo importante para lidar com as crises. “A compreensão desse processo permite ao indivíduo aceitar suas reações como naturais, reduzindo a intensidade da crise e facilitando o autocontrole”, explica.

    Aqui estão 10 dicas para uma pessoa poder sair de uma crise de ansiedade:

    1. Reconheça a crise: A primeira etapa é identificar que você está passando por uma crise de ansiedade. Esse reconhecimento ajuda a colocar o desconforto em perspectiva.
    1. Respire fundo: Respire lentamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca. Esse exercício regula o ritmo cardíaco e reduz a sensação de falta de ar.
    1. Mantenha o foco no presente: Observe o que está ao seu redor e descreva mentalmente o que vê. Essa técnica ajuda a interromper o ciclo de pensamentos ansiosos.
    1. Relaxe os músculos: Concentre-se em relaxar áreas do corpo que estão tensionadas, como ombros e mãos. A tensão muscular é uma resposta natural à ansiedade.
    1. Conte até dez: Contar até dez, devagar, ajuda a desviar a atenção dos sintomas e promove o relaxamento.
    1. Evite pensamentos catastróficos: Tente substituir pensamentos negativos por afirmações realistas sobre a situação. Isso evita que a crise se intensifique.
    1. Use um objeto de apoio: Segure algo que transmita segurança, como um objeto familiar. A sensação de segurança pode ajudar a reduzir o desconforto.
    1. Concentre-se em uma tarefa simples: Realizar uma tarefa rotineira, como lavar as mãos ou beber água, pode ajudar a restabelecer o controle.
    1. Dialogue com o corpo: Fale mentalmente com seu corpo, afirmando que está seguro. Isso ajuda a acalmar o sistema nervoso.
    1. Peça ajuda se necessário: Caso a crise não diminua, procure alguém de confiança ou um profissional para auxiliá-lo.

    Para Maria Klien, essas etapas auxiliam o corpo a retornar ao estado normal. “Essas práticas promovem o autocuidado e a compreensão do que está acontecendo no corpo, contribuindo para uma abordagem mais gentil e efetiva no manejo da ansiedade”, finaliza.

    Sobre Maria Klien

    Maria Klien exerce a psicologia, se orientando pela investigação dos distúrbios ligados ao medo e à ansiedade. Sua atuação clínica integra métodos tradicionais e práticas complementares, visando atender às necessidades emocionais dos indivíduos em seus universos particulares. Como empreendedora, empenha-se em ampliar a oferta de recursos terapêuticos que favorecem a saúde psíquica, promovendo instrumentos destinados ao equilíbrio mental e ao enfrentamento de questões que afetam o bem-estar psicológico de cada paciente.

  • Identidade e pertencimento: ser brasileiro nos EUA — o que levamos com a gente?

    Identidade e pertencimento: ser brasileiro nos EUA — o que levamos com a gente?

    Imigrar é mais do que atravessar fronteiras: é reconstruir quem somos sem abrir mão de onde viemos.

    A experiência de imigrar para os Estados Unidos representa, para muitos brasileiros, uma jornada complexa de adaptação e preservação cultural. Ao atravessar fronteiras, carregamos não apenas nossas malas, mas também uma bagagem cultural rica, que influencia nossa identidade e senso de pertencimento no novo país.

    A comunidade brasileira nos EUA
    De acordo com estimativas do Itamaraty, aproximadamente 1,9 milhão de brasileiros residem nos Estados Unidos, com concentrações significativas na Flórida, Massachusetts, Nova Jersey, Califórnia e Nova York. Essas comunidades não apenas mantêm vivas as tradições culturais, como também as adaptam ao contexto americano, criando uma identidade híbrida que reflete a fusão entre as duas culturas.

    Preservação cultural e adaptação
    Manter elementos culturais brasileiros — como a língua portuguesa, a culinária típica e celebrações tradicionais — tem papel fundamental no fortalecimento da identidade dos imigrantes. Eventos comunitários, festivais e grupos culturais funcionam como espaços de socialização e reforço dos laços com as raízes. Essa preservação, além de oferecer conforto e familiaridade, também contribui para a integração dos brasileiros à sociedade americana, permitindo o compartilhamento da herança cultural de forma natural e positiva.

    Desafios e resiliência
    Adaptar-se a uma nova cultura envolve obstáculos significativos: barreiras linguísticas, diferenças culturais e, por vezes, episódios de discriminação. Ainda assim, a resiliência dos brasileiros nos EUA é admirável. Muitos se envolvem em redes de apoio comunitário, organizações religiosas e iniciativas locais que promovem inclusão e bem-estar. Essas redes não apenas oferecem suporte prático no dia a dia, como também fortalecem o senso de pertencimento e identidade coletiva.

    Impacto na identidade pessoal
    A imigração frequentemente resulta em uma identidade cultural híbrida, onde elementos da cultura brasileira se mesclam a aspectos da cultura americana. Esse processo de integração pode enriquecer a vida do imigrante, oferecendo uma visão mais ampla, flexível e inclusiva do mundo.

    Contribuições para a sociedade americana
    A presença brasileira nos EUA fortalece a diversidade cultural do país. A influência é percebida na gastronomia, música, dança e outras expressões artísticas que já fazem parte do cotidiano americano. Além disso, empreendedores brasileiros têm se destacado na economia local, levando inovação, criatividade e dinamismo a diversos setores.

    Convite à reflexão
    Ser brasileiro nos Estados Unidos é um exercício contínuo de equilíbrio entre manter as raízes culturais e se adaptar a um novo ambiente. A identidade e o senso de pertencimento são moldados por experiências individuais e coletivas, refletindo nossa capacidade de resiliência e adaptação. Ao manter vivas as tradições e os valores do Brasil, os imigrantes não apenas enriquecem suas próprias histórias, como também contribuem de forma significativa para a vitalidade da sociedade americana.

    Foto: AdobeStock

  • Envelhecer é conhe-ser

    Envelhecer é conhe-ser

    Com a maturidade, aprendemos a cuidar do invisível que sempre nos acompanhou: a alma.

    “Envelhecer é um processo extraordinário onde você se torna a pessoa que sempre deveria ter sido.” — David Bowie

    Amamos tanto a matéria que acreditamos que só ela existe. Porque ela é visível. Passamos nossa infância e adolescência imaginando o que poderíamos adquirir — bens, posses, riqueza. A questão não é ter posses, já que elas podem sim resolver muitos problemas. O problema é acreditar que isso é tudo o que importa na vida.

    Fico pensando… e se nossos pais, educados por seus próprios pais ou pela vida, na luta pela sobrevivência, tivessem nos ensinado que, além do corpo, temos alma, espírito, sentimentos, pensamentos? Algo invisível que também precisa de cuidado? Quanto sofrimento teria sido evitado — para eles e para nós.

    Mas é só com a maturidade que começamos a enxergar o mundo como ele realmente é, ao nosso redor, e quem somos de verdade. É aí que surge a famosa sabedoria. E ela é invisível. Já notou como muitos políticos só ganham destaque depois dos 60 anos? Só então conquistam crédito, respeito — ou até se tornam presidentes.

    O que quero dizer é que, além do corpo — que sim, precisa ser cuidado — também existe uma alma, um espírito, uma consciência que merece igual atenção. E é o envelhecimento que nos mostra isso. Porque é o que nos resta. É o tesouro escondido. O invisível que se torna visível.

    Preste atenção ao que realmente importa: os afetos, os relacionamentos, o cuidado com quem amamos. E, acima de tudo, o cuidado com nós mesmos.

    Imagino que seja por isso que David Bowie disse que só envelhecendo nos tornamos quem realmente somos. Porque é aí que descobrimos nossa essência. É no envelhecimento que percebemos nossa alma e aprendemos a distinguir o que realmente importa. Quando já não há mais o que fazer para manter a juventude física, é a sabedoria da vida que passa a brilhar.

    Talvez esse seja o equilíbrio da própria natureza: deixar de olhar para fora para finalmente enxergar e valorizar a beleza de dentro.

    Envelhecer é ser.
    Envelhecer é conhe-ser.

    Assinatura:
    Zaquie C Meredith
    Socióloga, Healer Profissional e Escritora
    www.zaquiecmeredith.com

  • Terapias integrativas e o alívio da dor de cabeça

    Terapias integrativas e o alívio da dor de cabeça

    Acupuntura, aromaterapia, yoga, florais e outras práticas podem contribuir para a prevenção e o alívio das cefaleias.

    Cefaleia é o termo médico utilizado para se referir à popular dor de cabeça, sendo uma condição frequente de saúde que acomete grande parte da população, independentemente da idade, podendo estar relacionada a algum tipo de distúrbio psicológico, físico ou emocional.

    Existem diversos tipos de dores de cabeça. As mais frequentes são as cefaleias tensionais, em salvas ou a enxaqueca. A cefaleia tensional costuma ser a mais prevalente, apresentando-se de forma aguda ou crônica, como resultado de uma tensão prolongada da musculatura cervical ou da musculatura ao redor do crânio. Tem intensidade leve ou moderada e é caracterizada por dor em forma de aperto ou peso bilateral, que se manifesta na testa, na parte de cima da cabeça ou na nuca.

    A cefaleia em salvas se manifesta em crises diárias, que ocorrem em grande parte no período da noite, podendo se repetir por dias ou meses e apresentar remissão espontânea (desaparecer de repente). A dor é unilateral, forte e pulsante na região têmporo-frontal, na face, na órbita ou no fundo do olho. Outros sintomas podem se manifestar com esse tipo de dor de cabeça, como obstrução nasal, coriza e congestão ocular.

    A enxaqueca é a cefaleia mais incapacitante, sendo considerada a terceira doença mais prevalente no mundo, atingindo cerca de 30 milhões de pessoas no Brasil e 1 bilhão de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A enxaqueca é considerada um distúrbio neurovascular crônico, multifatorial e incapacitante, caracterizada pela dor de cabeça unilateral e latejante, de intensidade média ou forte, podendo ser precedida por uma aura (embaçamento de visão, manchas, linhas em zigue-zague ou pontos luminosos). Outros sintomas também podem se apresentar em conjunto com a enxaqueca, como, por exemplo, sensibilidade à luz ou ao som, náuseas ou vômitos.

    Diversos tratamentos podem ser recomendados para os diferentes tipos de cefaleias, entre eles, as Práticas Integrativas e Complementares (PICs), sendo uma terapia alternativa baseada na prevenção de doenças e recuperação da saúde. A aromaterapia e as plantas medicinais são algumas das PICs utilizadas para o tratamento de cefaleias. A meditação e a yoga também são excelentes práticas para a prevenção e redução dos sintomas de dor de cabeça, uma vez que conseguem reduzir o estresse e melhorar a qualidade do sono, fatores diretamente associados à cefaleia tensional.

    As PICs não substituem os tratamentos convencionais, porém são excelentes aliadas para manter a qualidade de vida e buscar a prevenção de quadros clínicos, especialmente os leves e moderados. Dessa forma, é possível destacar algumas das alternativas capazes de contribuir com os tratamentos para dor de cabeça:

    Acupuntura: utilizada para modular os nervos periféricos do crânio por meio da inserção de pequenas agulhas para estimular os pontos espalhados por todo o corpo.

    Aromaterapia: alguns óleos essenciais estão relacionados ao alívio dos sintomas de dor de cabeça, sendo utilizados para buscar o equilíbrio do organismo.

    Fitoterápicos: os medicamentos fitoterápicos são aqueles produzidos à base de plantas medicinais. Alguns desses medicamentos conseguem reduzir a tensão nervosa e melhorar o sono, podendo ser utilizados para o tratamento da cefaleia.

    Ioga e meditação: ambas são práticas capazes de relaxar os músculos, reduzir a ansiedade, diminuir o estresse e ativar a circulação, contribuindo para a redução das crises.

    Musicoterapia: essa terapia ajuda o cérebro a liberar endorfina e relaxar o corpo, sendo considerada uma aliada para o alívio de dores de cabeça. Atualmente, aplicativos de música como o Spotify possuem diversas playlists relacionadas ao tratamento de cefaleias.

    Terapia de florais: o uso de florais consegue modificar padrões de consciência e assim auxiliar no equilíbrio do organismo, devendo ser escolhidos conforme as necessidades de cada pessoa.

    Vale lembrar que, embora o tratamento com práticas integrativas e complementares possa trazer diversos benefícios à saúde, ele deve ser realizado sempre com o acompanhamento e supervisão de um profissional de saúde habilitado, pois, assim como os tratamentos alopáticos, esses também podem ser prejudiciais quando utilizados de maneira inadequada.

    Sobre a autora:
    Patrícia Rondon Gallina é farmacêutica, mestranda em Ciências Farmacêuticas e coordenadora do curso de Práticas Integrativas e Complementares do Centro Universitário Internacional UNINTER. Sediado em Curitiba (PR), a instituição já formou mais de 670 mil alunos e, hoje, tem mais de 580 mil estudantes ativos. Fora do Brasil, o Centro Universitário Internacional UNINTER oferece mais de 400 cursos de graduação e pós-graduação EAD para brasileiros, com polos de apoio presencial nos Estados Unidos, Europa e Japão.
    Mais informações: 1-833-605-1255 | uninteramericas.com

    Foto: Unsplash

  • Beleza que encanta: o segredo do carisma e da inteligência emocional

    Beleza que encanta: o segredo do carisma e da inteligência emocional

    Você não precisa ser a pessoa mais bonita da sala para ser a mais inesquecível — basta saber se conectar de verdade.

    Você já conheceu alguém que não era necessariamente a pessoa mais bonita da sala, mas tinha uma presença irresistível? Isso é carisma. Ele não vem apenas da estética, mas da forma como transmitimos emoções, nos conectamos com os outros e irradiamos autenticidade.

    O carisma pode ser definido como a capacidade de cativar, influenciar e inspirar as pessoas ao seu redor. É um conjunto de qualidades e comportamentos que tornam alguém simpático, envolvente e magnético. Uma pessoa carismática gera uma sensação de conexão e empatia, tornando-se naturalmente atraente e persuasiva.

    A boa notícia? O carisma pode ser desenvolvido – e a inteligência emocional é a chave para isso.

    E especialmente no dia a dia de um imigrante, seja em um ambiente profissional, social ou até na busca por novas amizades, saber como se apresentar com confiança e criar conexões genuínas pode fazer toda a diferença. Porque um ambiente multicultural exige mais do que apenas habilidades técnicas ou aparência.

    Agora que você já entendeu essa definição, aqui estão cinco passos práticos que você pode aplicar hoje mesmo para se tornar uma pessoa muito mais carismática:

    1. O poder de um sorriso genuíno
    O sorriso é uma das ferramentas mais rápidas e eficazes do carisma. Ele cria um ambiente acolhedor e faz com que as pessoas ao redor se sintam confortáveis e abertas.

    Mas a inteligência emocional nos ensina que não basta sorrir por obrigação. Um sorriso só é poderoso quando é genuíno e reflete emoções autênticas.
    Autoconsciência: reconheça suas emoções e permita-se sentir alegria verdadeira.
    Autenticidade: um sorriso real envolve não apenas a boca, mas também os olhos – caso contrário, pode parecer forçado.
    Empatia: um sorriso pode ser um presente para alguém que precisa de um momento de leveza.

    Quando sorrimos com sinceridade, transmitimos segurança e positividade, tornando nossa presença mais cativante.

    2. Ria com os outros, não dos outros
    Pessoas carismáticas não competem por atenção, mas criam um ambiente onde todos se sentem bem. Elas sabem que o carisma não está em ser o centro das atenções, e sim em fazer os outros se sentirem valorizados.

    A inteligência emocional mostra que:
    – O riso fortalece conexões sociais — rir junto com alguém aumenta a sensação de pertencimento.
    – Empatia é essencial — evite piadas às custas dos outros. Isso pode afastar em vez de aproximar.
    – Bom humor é um presente — mas só funciona quando é usado para incluir, e não para excluir.

    Pessoas carismáticas elevam os outros. E esse é um dos maiores sinais de inteligência emocional.

    3. Demonstre interesse genuíno e pratique a escuta ativa
    O verdadeiro carisma não vem de falar muito, mas de fazer os outros se sentirem importantes.
    Pessoas emocionalmente inteligentes sabem que a escuta ativa é uma das ferramentas mais poderosas para criar conexões reais.

    – Preste atenção de verdade: evite distrações e olhe nos olhos.
    – Faça perguntas abertas: isso mostra que você quer realmente conhecer a pessoa.
    – Respeite pausas e silêncios: às vezes, o outro só precisa de espaço.

    Quando alguém sente que está sendo ouvido e compreendido, essa pessoa automaticamente se sente mais conectada a você.

    4. Cultive a energia positiva e o controle emocional
    Pessoas carismáticas têm uma energia magnética. Isso não significa estar sempre feliz, mas saber gerenciar emoções de forma equilibrada.

    – Evite reclamações constantes. A negatividade afasta.
    – Pratique gratidão: valorize as pequenas coisas do dia a dia.
    – Regule suas emoções: aprenda a lidar com o que te irrita antes de descontar nos outros.

    A inteligência emocional ensina que o estado emocional que transmitimos afeta diretamente a forma como os outros nos percebem. E pessoas que irradiam equilíbrio e positividade têm uma presença que encanta.

    5. Expresse confiança e autenticidade
    A forma como nos comunicamos revela muito sobre quem somos. Pessoas carismáticas equilibram assertividade com empatia.

    – Fale com clareza e intenção: evite murmurar ou correr com as palavras.
    – Mantenha um contato visual natural: sem desviar, mas também sem encarar.
    – Seja coerente: alinhe palavras, tom de voz e expressão facial para transmitir verdade.

    A confiança verdadeira vem do autoconhecimento. Quando você se aceita e se expressa com naturalidade, os outros percebem e se sentem à vontade ao seu lado.

    O carisma está ao seu alcance
    O carisma não é sobre ser o mais falante, o mais bonito ou o mais engraçado — é sobre como você faz as pessoas se sentirem quando estão com você.

    Ele não é um dom reservado a poucos, nem uma máscara que você veste para impressionar. O carisma nasce da sua autenticidade, da sua energia emocional e da forma como você se conecta com os outros.

    E a inteligência emocional é a base de tudo isso.
    – Quando você se conhece, transmite segurança.
    – Quando controla suas emoções, gera confiança.
    – Quando escuta com atenção, faz os outros se sentirem importantes.
    – Quando sorri com leveza, se torna magnético.

    O mundo já tem superficialidade demais. O que encanta de verdade é a presença verdadeira, o olhar sincero, o sorriso que acolhe e a palavra que inspira.

    E você, o que pode fazer hoje para ser mais carismático?
    – Dê um sorriso sincero para alguém.
    – Demonstre interesse em uma conversa.
    – Aproveite cada interação para causar um impacto positivo.

    O carisma não está no futuro — ele está nas escolhas que você faz agora.

    Rebeca Macedo – Empresária e Especialista em Inteligência Emocional
    Instagram: @rebecacmacedo

    Foto: AdobeStock

  • Trajetória de uma mãe atípica: realidade, autismo e amor sem filtros

    Trajetória de uma mãe atípica: realidade, autismo e amor sem filtros

    O “Dia Mundial do Autismo” é celebrado anualmente em 2 de abril. A data foi instituída em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo inclusão, respeito e informação.

    Segundo dados atualizados de 2023 do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), 1 em cada 36 crianças nos Estados Unidos é diagnosticada com autismo — o que representa aproximadamente 2,8% das crianças de 8 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o autismo afeta entre 1% e 2% da população mundial. O TEA é quatro vezes mais comum em meninos, razão pela qual a cor azul se tornou o símbolo mundial da conscientização.

    Mas por trás dos números, existem histórias. Histórias como a minha.

    Sou Vanessa Caetano Salmeron, tradutora de documentos, brasileira vivendo nos EUA, e mãe do Nielson Lucas Caetano Salmeron, um jovem autista que, desde o seu diagnóstico, me transformou por completo.

    Nielson na escola UCP of Central Florida, em 2008, no kindergarten

    O Diagnóstico: o Início de Tudo

    Em agosto de 2010, recebi o diagnóstico do Nelsinho. Naquele momento, meu mundo desabou. Eu não sabia o que era autismo. Nunca imaginei que passaria por isso. A primeira pergunta que ecoou em mim foi: “Será que meu filho vai morrer?”

    “Eu e o pai dele éramos totalmente ignorantes sobre o autismo. Eu ouvi o diagnóstico e entrei num luto. Vieram os porquês, as dúvidas, o sentimento de culpa. Chorei muito. Conversei com Deus e pedi uma luz.”

    Foi então que decidi pesquisar. Entrei na internet e mergulhei nesse “mundo azul” que, até então, era completamente desconhecido para mim.

    E assim começou a nossa jornada.

    Nielson com sua professora Erika na Academy for Autism, escola que frequentou por 2 anos e meio

     Viver o Autismo de Verdade

    Desde o início, Nelsinho mostrou força. Sempre respondeu bem às intervenções feitas com muito esforço e cuidado: alimentação especial, terapias comportamentais e estímulos contínuos.

    “Nunca foi fácil. Mas para uma mãe determinada, nada é impossível.”

    Eu não sou médica, nem nutricionista — sou apenas uma mãe que buscou, ao longo dos anos, tudo que estivesse ao meu alcance para garantir uma vida com mais qualidade ao meu filho.

    Em 2023, Nielson no dia da sua formatura no High School

    Em 2023, Nielson se formou no High School, em classe regular, um marco de superação e orgulho para nós. Hoje, ele continua sua jornada acadêmica no Valencia College, onde está cursando Ciência da Computação, um sonho que ele vem cultivando com muito esforço e dedicação.

    A alimentação continua sendo um pilar importante, baseada na linha nutricional da Dr. Katie PhD Reid, cientista de alimentos na Califórnia. Ela não acompanha diretamente o Nielson, mas sigo seus estudos e orientações públicas com responsabilidade.

    Nielson Caetano no Valencia College, em Orlando

    Atualmente, Nielson está cursando Ciência da Computação no Valencia College, dando continuidade à sua trajetória acadêmica com dedicação e entusiasmo. Apaixonado por tecnologia, ele também demonstra grande interesse por fotografia e produção de vídeo, áreas nas quais expressa sua criatividade de forma única. Seu comprometimento e talento servem de inspiração para muitos jovens com autismo que sonham com uma carreira promissora.

     Apoiar Outras Mães, em Qualquer Lugar do Mundo

    “Atualmente, eu faço um trabalho de apoio e orientação às mães com diagnósticos recentes e às que buscam melhorar a qualidade de vida de seus filhos autistas.”

    Esse trabalho é feito com mães do mundo todo: brasileiras, americanas, hispânicas, e também de Alemanha, Portugal, Índia e China. Compartilhamos vivências, estratégias, desafios e vitórias — de mãe para mãe, com acolhimento e sem julgamentos.“O autista não quer ser tolerado. Ele quer ser respeitado e amado com sua diferença.”

    Nielson Caetano, Vanessa Caetano Salmeron, Dra. Tiele Machado, Mauricio Cruz e seu filho Mateus no primeiro seminário sobre autismo nos EUA

    Um Marco: O Seminário de Acolhimento em Português

    Em 2022, organizei o primeiro seminário em português sobre autismo nos Estados Unidos. Foi um momento histórico para a comunidade brasileira. Reunimos famílias, cuidadores e especialistas para trocar informações, experiências e, principalmente, acolhimento.

    Um dos grandes destaques foi a participação da Dra. Tiele Machado, médica e mãe atípica, que estuda profundamente o espectro e hoje forma outros profissionais para atuarem de forma científica, empática e humanizada no tratamento do autismo.

    Esse evento plantou uma semente poderosa: a de que conhecimento salva, e que acolhimento transforma.

     E vem mais por aí!

    Já está confirmada a segunda edição do seminário, que acontecerá no dia 7 de junho de 2025, presencialmente em Orlando.

    Logo trarei novidades! Será mais um momento de conexão, aprendizado e fortalecimento para famílias atípicas.

    Neilson no evento MEGACON 2024

    Que o Dia Mundial do Autismo dure 365 dias

    “Meu sonho é que o Dia 2 de Abril se transforme em 365 dias de conscientização, porque as crianças e adultos com autismo estão presentes o ano todo: nas escolas, nos supermercados, nas festinhas, na vizinhança e dentro das famílias.”

     Um Poema para as Mães Atípicas

    “A dor e a delícia de ser mãe de um filho (a) ASD (autism spectrum disorder).

    Somos mães guerreiras, batalhadoras, resilientes, heroínas e vencedoras.

    Insistimos no amor incondicional aos nossos filhos.

    Você não está sozinha. Eu estou aqui — vamos conversar, trocar experiências.

    Eu entendo você. E jamais vou te julgar.”

     Texto:Vanessa Caetano Salmeron

    Foto: Arquivo Pessoal

  • Mães que transformam acolhimento em ação

    Mães que transformam acolhimento em ação

    A força por trás da comunidade TEA Orlando

    Em meio à complexidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA), há algo que brilha com força: o poder das conexões entre mães. A Comunidade TEA Orlando, formada por mais de 300 mães atípicas na região de Orlando, Flórida, é a prova viva de que o acolhimento pode se tornar movimento, rede de apoio e transformação social.

    Criada e conduzida por mulheres que vivenciam diariamente os desafios da maternidade atípica, a comunidade promove encontros, trocas sinceras, informações práticas e, acima de tudo, empatia real. Essas mães não apenas cuidam de seus filhos com amor e dedicação, mas também estendem a mão a outras mães, criando um ciclo de apoio mútuo que fortalece, inspira e acolhe. A seguir, conheça quem são as administradoras que mantêm essa rede pulsando todos os dias com coragem e propósito:

    Alice Fonteles Cartaxo Kissimmee, FL • Mãe do Arthur (9) e da Julia (6)

    Ao iniciar a busca pelo diagnóstico do filho, Alice encontrou amparo em outras mães e, tocada por esse gesto, decidiu retribuir. Criou o grupo “TEA Orlando/Quer Café”, um espaço de acolhimento e partilha emocional.

    Para Alice, o grupo é mais do que um ponto de apoio — é uma família afetiva, onde cada história é valorizada e toda conquista é comemorada. Sua missão é garantir que nenhuma mãe caminhe sozinha.

    Claudia Oliveira Winter Park, FL • Mãe da Emily (8) e das gêmeas Kimberly e Olivia (13)

    Claudia entrou na Comunidade TEA Orlando com o desejo de compartilhar experiências e oferecer suporte. Com fé, empatia e sensibilidade, ela promove o bem-estar emocional de outras mães.

    Compreende profundamente a sobrecarga enfrentada por famílias atípicas e acredita na troca de vivências como ferramenta de cura e fortalecimento. Para ela, o grupo é uma rede de esperança.

    Roseli Martins Pereira Orlando, FL • Mãe do Paulo Henrique Criadora do projeto @AutismEvolve e também administradora da Comunidade TEA Orlando

    Transformou a solidão do início da sua jornada em um propósito coletivo: empoderar mães com informação e rede de apoio.

    Hoje, conecta famílias brasileiras nos EUA e no Brasil com recursos práticos, eventos, lives, oportunidades gratuitas e informações atualizadas.

    Com formação em saúde e negócios, Roseli alia conhecimento técnico e vivência real para apoiar mães que, como ela, precisam de direção e acolhimento.

    Carla Patrícia Amorim Meirelles Orlando, FL • Mãe do Daniel (6)

    Membro ativa do grupo desde 2021, Carla foi convidada recentemente a se tornar administradora da Comunidade TEA Orlando.

    Aprendeu com mães de todas as fases — desde aquelas com filhos adultos até as que estão no início da jornada — e acredita que cada experiência, por menor que pareça, pode transformar.

    Ela destaca o idioma como um dos maiores desafios para mães imigrantes e defende que o diagnóstico precoce é libertador:

    “Quanto antes descoberto, mais oportunidades o filho terá.”

     Jucilene Schunk (Jucy)

     Orlando, FL • Mãe do Nicholas (11), autista nível 3

    Em 2017, num momento delicado de sua vida pessoal, Jucy encontrou no grupo o acolhimento que precisava.

    Hoje, atua como administradora com a mesma empatia que um dia recebeu. Está sempre pronta para orientar, escutar e apoiar, especialmente as mães que estão começando a trilhar esse caminho.

    Sua frase-guia: “Ninguém deve passar por isso sozinha.”

     Uma comunidade onde ninguém fica para trás

    A Comunidade TEA Orlando é muito mais que um grupo: é um espaço seguro, onde mães atípicas encontram pertencimento, coragem e caminhos possíveis.

    Essas mulheres não estão apenas cuidando de seus filhos — estão construindo uma rede que transforma realidades.

    E como diz o lema que ecoa em cada encontro, café ou mensagem trocada:

    “Juntas, somos mais fortes.”

     Conheça e siga no Instagram: @comunidadeteaorlando — Rede de apoio que acolhe mais de 300 mães atípicas em Orlando, com encontros, trocas e informações valiosas.

    Texto: Vanessa Caetano Salmeron Foto: Arquivo/Divulgação