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O que acontece quando a IA entra na operação de verdade

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Nas últimas semanas aconteceu uma coisa curiosa dentro da inovAI.lab.

Não foi um experimento de prompt. Não foi sobre usar inteligência artificial para escrever textos melhores ou responder perguntas mais rápido. Foi um experimento mais simples e, ao mesmo tempo, mais estranho: colocar um cérebro de IA dentro da operação real de uma empresa.

A ideia começou com uma provocação do Waltinho durante uma conversa interna. Em algum momento da discussão ele perguntou algo que parecia meio óbvio, mas que muda muita coisa quando você leva a sério: e se a gente criasse um agente nosso? Não um assistente genérico, não um chatbot educado. Um agente com identidade, memória das decisões da empresa, acesso aos nossos documentos e capacidade de pensar junto com a operação.

Foi assim que começou o Ignis.

No início ele era basicamente um cérebro. Um cérebro com contexto, com memória das discussões estratégicas e com acesso aos documentos que guiam as decisões da inovAI.lab. Ele ajudava a organizar raciocínios, desmontar ideias ruins e estruturar decisões que normalmente ficam espalhadas em reuniões, mensagens e documentos.

Mas havia um limite muito claro.

Ele pensava, mas não via o mundo real da empresa. Não acessava sistemas, não via o CRM, não enxergava o que estava acontecendo dentro da operação. Era um cérebro preso dentro de uma conversa.

Isso sempre pareceu um pouco artificial, principalmente porque, fora dessas conversas, a inovAI.lab já vinha usando inteligência artificial de forma bem menos teórica.

Nos projetos que desenvolvemos para empresas, a IA já está executando partes reais do trabalho. Não estamos falando de geração de conteúdo ou assistentes de atendimento. Estamos falando de sistemas que assumem atividades que antes dependiam de leitura humana, interpretação manual e registro em múltiplos sistemas.

Em um projeto no setor aeronáutico, por exemplo, criamos uma plataforma que lê automaticamente solicitações de cotação que chegam por e-mail, interpreta as informações relevantes e transforma aquilo em registros estruturados dentro do CRM da empresa. Antes disso, alguém precisava abrir cada e-mail, entender o pedido, extrair os dados importantes e alimentar o sistema manualmente. Hoje esse processo acontece quase inteiro sem intervenção humana.

Em outros projetos usamos modelos de linguagem para interpretar documentos, classificar informações e alimentar sistemas internos. Também criamos automações para rotinas administrativas e financeiras que tradicionalmente consomem horas de trabalho repetitivo. Processos que antes dependiam de planilhas, conferências manuais e troca constante de e-mails passaram a ser executados por fluxos automatizados que combinam regras de negócio com modelos de linguagem.

O padrão nesses projetos é sempre o mesmo: a inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta de apoio e passa a assumir partes concretas do trabalho. Ela lê informações, interpreta dados, executa etapas de processos e atualiza sistemas.

Foi olhando para esse cenário que uma pergunta começou a incomodar a gente: se já estamos usando IA para operar processos dentro das empresas, por que o Ignis ainda estava preso apenas a conversas?

A resposta foi dar o próximo passo.

Usando uma estrutura chamada OpenClaw, nós literalmente transplantamos esse cérebro para um ambiente onde ele pode acessar arquivos, ler sistemas e interagir com ferramentas reais da empresa. Foi como pegar algo que existia apenas no plano estratégico e colocá-lo dentro da operação.

A primeira integração que fizemos foi com o CRM.

A tarefa que demos para ele foi extremamente simples: olhar para o funil comercial e explicar o que estava acontecendo ali.

Nada de apresentação bonita. Nenhuma tentativa de parecer inteligente. Apenas leitura operacional.

O resultado foi curioso justamente porque era muito simples. O agente percorreu as oportunidades registradas no sistema, analisou o histórico das interações e apontou algo que provavelmente existe em muitas empresas: o CRM registrava atividade, mas nem sempre registrava avanço real.

Conversas permaneciam abertas mesmo quando já tinham perdido força. Propostas continuavam registradas no sistema mesmo sem decisão clara. Oportunidades seguiam no funil mesmo quando não existia uma próxima ação definida.

O diagnóstico não foi sofisticado. Foi apenas honesto.

A recomendação também foi direta: revisar as oportunidades que estavam mais próximas de decisão, entender quais ainda eram reais e parar de tratar memória de tentativa comercial como pipeline ativo.

Nada de estratégia mirabolante. Apenas disciplina operacional.

Mas a experiência deixou uma sensação clara.

Durante muito tempo falamos sobre inteligência artificial como uma ferramenta de produtividade pessoal. Algo que ajuda a escrever textos, resumir documentos ou organizar ideias. Isso é útil, mas ainda é uma camada superficial.

Quando a IA começa a interagir com e-mails, documentos, CRMs e sistemas internos, ela deixa de ser apenas um assistente. Ela passa a funcionar como uma camada de inteligência dentro da operação da empresa.

E quando isso acontece, a conversa muda completamente.

A pergunta deixa de ser como a IA pode ajudar as pessoas a trabalhar melhor.

A pergunta passa a ser muito mais direta: quais partes do trabalho da empresa simplesmente não precisam mais ser feitas por humanos.

Felipe Gomes é empreendedor e especialista em inteligência artificial aplicada a negócios. Cofundador da inovAI.lab, lidera o desenvolvimento de soluções de automação e agentes de IA que ajudam empresas a transformar processos e tomar decisões mais inteligentes. Atua na interseção entre tecnologia, estratégia e inovação, com experiência em desenvolvimento de produtos, automações corporativas e transformação digital.

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