Arte

Brasil nos bastidores do México imaginário de Luzia

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Talentos brasileiros participam do espetáculo do Cirque du Soleil em temporada no Gulfstream Park, em Hallandale Beach

Sob a lona montada no Gulfstream Park, o Cirque du Soleil transforma luz e chuva em espetáculo. Em Luzia, palhaços, trapezistas, contorcionistas, músicos e atletas vindos de cerca de 30 países dividem o palco em uma jornada visual inspirada em um México imaginário. Entre figurinos marcantes, acrobacias aéreas e cenas com água real, o público atravessa desertos, festas e tempestades em uma apresentação que combina técnica, poesia e precisão milimétrica. No meio dessa engrenagem internacional, há talento brasileiro ajudando a sustentar cada detalhe.

De Porto Velho para o mundo

Vanessa Calado nasceu em Porto Velho, Rondônia, e é a única artista da família. Enquanto primos e primas seguiram carreiras tradicionais, ela decidiu apostar na arte. Primeiro o teatro, depois o circo. Saiu do Norte do Brasil, passou por São Paulo e pelo Rio de Janeiro em busca de formação profissional até chegar ao Cirque du Soleil.

Desde 2019 na companhia, já participou de dois espetáculos e hoje integra o elenco de Luzia no ato de pole, além de atuar como artista de apoio quando necessário. No palco, é a única que executa movimentos diferentes das demais, conduzindo a cena com presença e precisão.

Para Vanessa, Luzia vai além da técnica. É poesia. Ela destaca especialmente a abertura e o encerramento do espetáculo, momentos que, segundo ela, estão entre os mais emocionantes. “Não é só o risco e a acrobacia. Quando junta a parte física com a parte poética, que toca o coração, não tem nada que ganhe isso”, afirma.

A disciplina que sustenta o espetáculo

Se Vanessa representa o sonho realizado, Emerson Neves simboliza a estrutura que mantém tudo de pé. Paulista, começou como atleta de saltos ornamentais. O convite para enviar um vídeo ao Cirque surgiu quase por acaso, durante um trabalho na Europa. Fez audição no Rio de Janeiro, foi aprovado e iniciou uma trajetória internacional que transformou sua carreira.

Foram sete anos como artista. Desde 2013, atua como head coach em grandes produções da companhia. Em Luzia, é responsável pela preparação física e pelo acompanhamento do desempenho dos artistas.

Ele observa uma diferença clara entre o esporte e o circo. No esporte, o atleta tende a seguir mesmo lesionado. No circo, o artista aprende a respeitar mais o próprio limite. Para Emerson, treinar é a parte mais prazerosa do trabalho. O desafio maior é lidar com lesões que podem impactar toda a equipe e exigir reorganização do espetáculo.

A engenharia invisível

Caio Rocha traz para o Cirque a bagagem do grafite e da produção de festivais. Começou como designer gráfico, tornou-se pintor de cenários e, durante uma montagem em Curitiba, foi notado por um recrutador da companhia. Aceitou fazer um teste na Argentina e se apaixonou pela dinâmica itinerante do circo.

Há seis anos no Cirque du Soleil, já participou de três espetáculos. Em Luzia, atua como head of carpentry and props, responsável pela manutenção e pelo funcionamento da cenografia. A criação original é desenvolvida em Montreal, mas é no dia a dia que a equipe garante que tudo funcione com precisão absoluta.

Durante cada apresentação, a equipe entra e sai de cena, instala equipamentos, ajusta estruturas e resolve imprevistos. “Se você perde uma fração de segundo, perdeu a sua entrada. O show não atrasa”, explica.

Ele relembra um episódio em que a estrutura que sustenta um dos atos precisou de reparo urgente entre sessões. Foi necessário agir com rapidez e garantir que o público não percebesse o contratempo. É o tipo de trabalho que raramente aparece para quem está sentado na plateia, mas é fundamental para que a magia aconteça.

Brasil em diferentes departamentos

Além de Vanessa, Emerson e Caio, outros brasileiros integram a equipe técnica e artística de Luzia. Estão na tenda, na carpintaria e na preparação física. Em meio a profissionais de dezenas de nacionalidades, a brasilidade também se faz presente nos bastidores.

Luzia fala de transformação. A própria ideia do espetáculo nasce da combinação de luz e chuva. Talvez por isso a presença de brasileiros nesse cenário internacional dialogue tanto com o público imigrante que vive aqui. São trajetórias marcadas por mudança, adaptação e reinvenção.

As entrevistas completas com Vanessa Calado, Emerson Neves e Caio Rocha estão disponíveis em vídeo no Acontece.com. Vale assistir para conhecer bastidores, curiosidades e detalhes que ampliam a experiência de quem for assistir ao espetáculo ao vivo.

Serviço

O que: Cirque du Soleil Luzia
Quando: De 19 de fevereiro a 25 de abril de 2026
Onde: Gulfstream Park Racing, 901 S Federal Hwy, Hallandale Beach, FL
Info: cirquedusoleil.com/luzia

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