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Quarentena e abstinência - A Revoltada

Quarentena e abstinência - A Revoltada
Quarentena e abstinência - A Revoltada

Crônica por Nilson Lattari
Minha abstinente conseguiu estabelecer uma rede de contato que poderia fornecer tanto sorvete quanto ela quisesse. Estava exaltada, porque o negócio com a sua fornecedora conseguiu estabelecer uma rede de abastecimento que a impressionou. Por isso, ela recebeu da fornecedora alguns excessos, alguns presentes, traduzidos por mais embalagens de sorvetes, prontas para saciar sua extrema vontade.

O dia da entrega estava cercado de expectativa. É claro que haveria alguns cuidados com a entrega, porque o isolamento teria de ser mantido. E o contato com o entregador seria à distância, como nas outras entregas que eram colocadas no corredor.

Atendeu o interfone com alegria, já despossuída daquele olhar temerário que me obrigou a entrar e a sair, fique bem claro, do armário onde estava, ou pensava estar escondido.

O som das embalagens de sorvete no corredor ressonavam através da porta. No entanto, lembrei, ela deveria consultar o tempo de espera para poder se apossar da guloseima.

Consultou o Google e constatou que o sorvete não sofria essa restrição, porque estava embalado. Porém, antes que ela abrisse a porta eu lembrei, novamente, com um certo receio: a embalagem do sorvete é de plástico. Ela ficou estática, paralisada, fiquei preocupado com o olhar dela quando me encarasse. Ela consultou e percebeu que o plástico precisava de uma quarentena de 72 horas. E eu lembrei que o sorvete não resistiria a tanto.

Ela me olhou, com um olhar fundo e rancoroso, dizendo, em uma voz rouca, de dentro da alma, vamos dizer assim:

- Quem lhe perguntou isso?

- Eu não perguntei, apenas avisei…

Sua voz rouca rebombou pelo corredor, alertando minha vizinha, com a qual tínhamos um trato de ficar com a cópia da chave um do outro, no caso de alguma assistência. Aliás, algo bem lembrado. E, ato incontinenti, ela, a vizinha, bateu em nossa porta perguntando se tudo estava bem.

Quando se ouviu a voz do filho da vizinha, alegremente, dizendo:

- Sorvete!

Ela, minha abstinente, por detrás da porta, alçou sua voz empoderada, respondendo:

- Nem se atreva moleque dos infernos!!!

O silêncio foi lúgubre. E logo depois, vimos surgir uma chave por debaixo da porta, como um sinal de paz.

Foram setenta e duas horas vendo minha abstinente vigiar pelo olho mágico da porta o seu sorvete derretendo, quando ela se voltou para mim, dizendo:

- Isso não vai ficar assim!

Gelei por dentro, perdoem-me a expressão, olhando para o banheiro de serviço com uma porta que, infelizmente, não tinha chave.

Foto: Sharon McCutcheon on Unsplash

 

Uma história sem fim

Uma história sem fim
Uma história sem fim

Crônica por Nilson Lattari

No fundo sempre esperamos um final feliz para qualquer história: seja do menino pobre que vence na vida; do herói que, finalmente, salva o dia; do empregado que consegue alcançar o maior posto de comando em uma empresa e, por que não, do final feliz entre dois amantes, dois apaixonados que juram por todas as juras que o seu amor será eterno, enquanto durar.

De todas as histórias, mesmo o menino pobre que não vence na vida, acaba aprendendo uma lição, do herói que, apesar de não salvar o dia, mostra a coragem na luta e do empregado que, mesmo não alcançando o posto de supremo mandatário da empresa, coleciona as amizades e a admiração de seus pares. De uma certa forma eles têm um final feliz.

Ah! E os amantes?

Quando o final feliz adiado "sine die, finalmente, encontra um final, a lição que se aprende é transformadora. Uma história de amor ao seu término invariavelmente deixa, para um dos lados, a dor da perda. O que se ganha em experiência, por mais que se transforme em lição, na verdade, fere o ser naquilo que a razão não se sobrepõe: A razão não se sobrepõe às razões do coração.

Para esse ser que sobra da relação, resta a dor da perda. Levar por um longo período da vida, mesmo que outras relações se estabeleçam, uma história sem fim. Uma história que nunca acaba dentro de si mesma. Uma história que a mente traz à tona no cheiro do perfume, no tom da voz, e nas fotografias que são deixadas de lado, mas que o manuseio traz a maciez da pele, do toque fino dos cabelos e no macio adocicado da boca.

Uma história sem fim é uma história que ultrapassa o final feliz. É a história interminável que sempre cai na conversa com os amigos, na visão distante do ser que se foi, do ser que não quis fazer mais parte da história.

Para os outros, a matéria da perda é sempre recuperada adiante, trazida pela experiência vivida. Para o amor não. Para o amor, um amor verdadeiro não consegue ser substituído. Ele é sempre cobrado, comparado, e pune mesmo aqueles amores que venham a habitar o coração abandonado.

Uma história sem fim de abandono é uma história que nunca vai terminar. Os atalhos, os caminhos que se trilham mais adiante são mais uma busca pelo amor perdido do que propriamente o encontro de um novo amor.

O novo amor vem mais maduro, não tão emotivo, mais preparado para a decepção, mais pronto para o soerguimento, vem com a sensação da perda já embutida nos beijos e nas promessas.

Paixões são vividas "ad eternum", buscadas e conquistadas. Mas, são sempre calcadas na prudência, na preparação da perda. Ou são tratadas com desprezo, como se uma vingança interna estivesse sempre de tocaia.

A primeira paixão marca, é profunda, penetrante em um coração desavisado, aberto ao mundo, sem um colete para a flecha perdida lançada por um Cupido inconsequente.

A primeira paixão, essa sim, é uma história sem fim.

Foto: morguefile.com

 

O livro Maíto de Nilson Lattari, está disponível nos EUA através do Amazon

O livro Maíto de Nilson Lattari, está disponível nos EUA através do Amazon
O livro Maíto de Nilson Lattari, está disponível nos EUA através do Amazon

Maíto é um personagem de ficção que vive os anos de mudança de 1964 até 1994, no Rio de Janeiro, acompanhando as mudanças da cidade e dos costumes até um autoexílio em Minas Gerais. Ele é um apaixonado pela cidade e sente que a mudança que acontece nela provoca uma imensa dor ao abandoná-la. Seu amor platônico por uma mulher significa o quanto a própria paixão que a cidade do Rio de Janeiro agita sua alma. Ao mesmo tempo próxima e distante, a mulher inalcançável significa o que a cidade representa para si, também tão próxima e tão distante.

Livro em Portugues, com 250 páginas tamenho 6x9 Inches Valor: US$9.66
Link no Amazon: https://www.amazon.com/dp/1087430771

Maíto é um nome fictício, de um personagem fictício, de uma história onde nem tudo é verdade, mas nem tudo é mentira. Foi minha primeira experiência como romancista. Estruturar uma história com um número de páginas bem maior que um conto ou crônica é um desafio. Logo, Maíto foi o laboratório, o primeiro trabalho no sentido de elaboração de um projeto.
Ele deu frutos; mais três romances, um deles premiado como finalista. O aprendizado que Maíto proporcionou foi enorme: como fazer as primeiras anotações, como encadear os acontecimentos; o personagem foi o grande auxiliar nessa trajetória.

Como laboratório, também foram experiências com o ser romântico, o ser cativante, o ser com defeitos, o ser erótico, muitas vezes lascivo, muitas vezes apaixonado, leal, indignado e indignante, principalmente, por algo que está embutido na história de relacionamento de qualquer ser humano: sua cidade.

O relacionamento do ser humano com o seu lugar de origem é contundente. Podemos viver em outros lugares, podemos trocar todas as experiências com outros, mas, na lembrança de todos nós estará sempre o lugar onde nascemos e começamos a construir nossa história e nossos sonhos. E, como todos, alguém que vê e vive a História, não tem o poder de modificá-la, fazendo de uma pequena atitude um efeito para diante, como a avalanche de histórias de cada um que conta a grande História de todos nós.

Como autor independente, blogueiro, colunista colaborador em mídias no Brasil e no exterior, esse fazer por si mesmo é fascinante. Esse construir, simplesmente, a partir de sua aptidão e da sua vontade faz de Maíto o personagem que encarna alguns momentos do autor. E para isso foi necessário emprestar a ele um pouco da estrutura vivida, ouvida, comentada, contada por outros, e erguendo um representante que somos todos nós, de ser uma testemunha do mundo onde vivemos.

Lançado em 2017 pela plataforma da Amazon, a edição impressa somente está disponível nos EUA, França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e Japão. Uma ótima oportunidade para matar a saudade de alguns. Tentando descobrir o Maíto que cada um de nós tem dentro de si.

Agradeço ao Antonio Martins a oportunidade de poder divulgar no seu site Acontece.com esse romance de “Uma testemunha ocular e não atuante na História”

Nilson Lattari

 

Currículo:
Nilson Lattari é carioca, escritor e blogueiro no site http://www.nilsonlattari.com.br e Facebook/Blog do Nilson Lattari. Vencedor do 29° Concurso de Contos Paulo Leminski 2018, Prêmios UFF de Literatura 2011 e 2014 e Prêmio Darcy Ribeiro 2014. Finalista em livros de contos Prêmio SESC de Literatura 2013 e em romance Prêmio Rio de Literatura 2016. Além de menções honrosas em Contos, Crônicas e Poesias.

 

Enfrentando o inimigo

Enfrentando o inimigo
Enfrentando o inimigo

Crônica por Nilson Lattari

Enfrentamos muitos inimigos em nosso cotidiano, e ao longo da vida. Enfrentamos a possibilidade de perder o emprego, de não passar naquela prova crucial e definidora do futuro, da perda do amor de outro alguém, da saúde, da segurança e, portanto, da liberdade. Todos esses inimigos funcionam como uma tropa de assalto, perseguindo a todos, indistintamente, por qualquer motivação.

Não que estes inimigos tenham sido construídos por inimizade ou fruto de mal entendido, não é isso. Eles são inimigos naturais decorrentes do nosso estilo de vida.

Eles são satélites periféricos do inimigo que nos assombra, que jaz escondido, e que mostra a sua cara quando perdemos o controle sobre nós mesmos.

É o inimigo interno o mais voraz, o mais destrutivo, aquele que cultivamos ao longo dos anos, decorrentes de derrotas, da luta contra o desemprego, contra as questões que não conseguimos resolver e nos daria o futuro desejado, do concurso tão aguardado, da rejeição da pessoa amada, da má sorte em ter uma deficiência qualquer, que nos impede a liberdade, o direito de ir e vir, de frequentar todos os lugares que queiramos.

Ele jaz adormecido e floresce nos desencantos, na má formação cultural, no desprezo social pela nossa origem humilde, na luta desigual das forças que se equilibram, tenuemente, na convivência em sociedade.

Ele floresce na raiva que sentimos por não conseguir a vitória que o outro obteve, quando somos preteridos na promoção, ou somos escolhidos como a vítima para ser deslocada do emprego que queremos, esbarramos na falta de desejo do ser amado, quando não conseguimos a vantagem intelectual que o outro consegue, e somos colocados na impossibilidade de seguir o caminho desejado.

Ele aparece no desgosto, no despreparo em não aceitar a derrota, que é dimensionada pela exata amplidão que damos aos seres vitoriosos, quando escolhemos o outro como culpado pelo que não conseguimos, culpamos o outro, sem nem ele saber o porquê, por habitar nossos espaços, sem obedecer aos nossos discursos, que imaginamos serem os verdadeiros e importantes, nos transforma no conhecedor do único caminho possível.

E mais ainda quando o mundo parece conspirar, e entramos no círculo descendente e nos inconformamos, mas tão necessário para uma retomada mais criativa e equilibrada. Até porque este inimigo não nos deixa abrir mão de nada para o bem comum, e ele se disfarça no egoísmo, e deságua no desprezo pelas roupas do outro, pelo andar do outro, pelo outro ocupar os espaços “nossos”, com seus comportamentos desprezados por nós.

Se derrotássemos este inimigo interno, possivelmente a tropa periférica da qual faz parte não existiria, e o mundo seria mais amistoso, porque a nossa força de vontade é a nossa maior aliada, e o filtro dos nossos desejos, ancorados na realidade, são mais fáceis de realizar. E, com calma e perseverança, dar um passo de cada vez.

Foto: morguefile.com

 

Sobre desertos

Sobre desertos
Sobre desertos

Crônica por Nilson Lattari

As ruas estão desertas. No meio do dia, ouço o sem-teto conhecido do bairro gritando pelas ruas: “Gente, onde estão vocês? Cadê todo mundo?” Profeticamente, ele encosta o rosto na parede, como se socasse os seus pensamentos, tentando extrair alguma coisa mais e começa cantarolando:” Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais”.

Têm coisas que nos causam calafrios. Escondido dentro dos meus pensamentos, envolvido pelas paredes da minha casa, no andar mais alto, escuto os sinais que saem dos seus pensamentos, encontrando os meus.

Mas a questão é falar sobre desertos, e sobre praias; “As praias desertas continuam procurando por você”, que elas, finalmente, nos encontrem. Ou não?

Mas os desertos vão mais além do plano terrestre, os desertos habitam pensamentos. Desertos em gente de bem, de bem com a vida, com o dinheiro no bolso cheio, que teme ficar deserto.

O sem-teto caminha pelo deserto das ruas, e a sua voz prediz o previsível.

Dizem que o deserto tem sua beleza, uma solidão, uma infinitude, uma ausência de vida, de cor única, e o peregrino avança tendo como companhia a sua sombra, a única que muda com o seu andar, algumas vezes longa e distante, e algumas vezes perto, muito perto. Porque, algumas vezes, o perigo parece distante, e em outras vezes ele está perto, muito perto.

No seu andar claudicante ele tenta sobreviver nas ruas ausentes de gente. Quem socorre o caminhante? Ele é um filósofo (me confessou, uma vez, que estudou Filosofia) e percebe a vida nas ruas muito mais além do deserto, mais além de um bêbado e equilibrista.

Mas os desertos continuam, e eles estão “nas cabeças e andam nas bocas”. As sombras seguem autômatas as ordens presidenciais de um contaminado pelos desertos de pensamentos, e saem pelas ruas desafiando o bom-senso. Sim, como elas poderão sobreviver sem a sua renda? É uma questão, e é nessa hora que o Estadista, com E maiúsculo, entra em ação. Ordena que todos sobrevivam, porque todos são importantes. Afinal, é um caso que é perigoso para os idosos, aqueles com mais de 60 anos, não é mesmo? mais ou menos como um discurso de excludentes, daqueles que são pesos na sociedade. E são, justamente, os cientistas, os professores, os mais experientes, os que mais viram coisas, os que podem, com sua experiência, ajudar a combater e, principalmente, passar sua experiência para os mais jovens, os aprendizes, os que “não vão morrer”. Sem os guias dos desertos? Será mesmo? Não vão?

Que sinais, o sem-teto do bairro fala? De onde eles vêm? O deserto vive da ausência, a ignorância também, uma espécie de deserto que vai nos matar a todos de sede. E eles vêm do silêncio que “anda nas cabeças e anda nas bocas”.

 

Foto: Finding Dan | Dan Grinwis on Unsplash

 

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Vera Viel posa com tema náutico para a Acontece Magazine em Miami

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Ensaio Fotográfico

Ensaio fotográfico com as modelos Cate Chant e Flavianny Nassimbeni para a editoria Fashion da edição de maio de 2016 da Acontece Magazine por Gerardo Gomez


Making Of Abril 2016

Ensaio fotográfico com Karmel Bortoleti para a editoria Fashion da edição de abril de 2016 da Acontece Magazine por Gerardo Gomez


Ensaio fotográfico para a editoria Fashion da edição de março

Ensaio fotográfico para a editoria Fashion da edição de março de 2016 da Acontece Magazine por Gerardo Gomez


Acontece Magazine - Making of - Karina Bacchi - March 2016

Acontece Magazine - Making of - Karina Bacchi - March 2016


Ensaio Fotográfico

Ensaio fotográfico para a editoria Fashion da edição de fevereiro de 2016 da Acontece Magazine


Making Of Janeiro 2016

Making of do ensaio fotográfico para a capa e a editoria fashion da edição de janeiro de 2016 da Acontece Magazine com a participação da modelo Andrea Méndes Arroio


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