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Mila Burns: “Ser mãe é viver tudo... com a máxima intensidade possível”

Mila Burns com o filho Matias
Mila Burns com o filho Matias

A jornalista Mila Burns é apresentadora do “Globo Notícia Américas”, professora da City University of New York e, agora, mãe do bebê Matias. Como toda mãe imigrante, sente na pele todos os desafios de criar o seu primeiro filho sem a ajuda da família por perto, mas ao mesmo tempo faz questão de viver intensamente essa nova fase da vida ao lado do marido, buscando encontrar um equilíbrio para desempenhar da melhor forma possível o seu papel de mulher, mãe e profissional.
Mila, como foi a sua experiência com a maternidade? Foi uma gravidez planejada?
Foi, sim. Tenho muitas amigas que sempre sonharam com a maternidade e sempre souberam que seriam mães. Eu levei mais tempo para ter essa certeza. O Francisco, meu marido, também pensava da mesma forma, por isso demoramos um pouco para decidir que seríamos pais. Mas acho que no fim das contas foi a hora certa. Estávamos prontos, maduros, e foi uma gravidez muito desejada.

É muito comum jornalistas adiarem a gravidez por causa da profissão. Você também teve essa dúvida?
É verdade, é mesmo comum. Mas no meu caso não foi pela profissão. Era mais uma dúvida sobre estar ou não preparada para as mudanças que um filho traz na nossa vida. Eu não sabia qual era o tamanho do impacto de ter um bebê, mas sempre ouvia dos meus amigos —e dos meus pais, é claro— que era uma mudança enorme. Eu tinha um pouco de medo de toda essa revolução, mas aos poucos passamos a ver isso um pouco como a Teoria do Caos, sabe? A borboleta que bate as asas e causa um furacão do outro lado do mundo? Começamos a ver essa possibilidade como um furacão que só encheria a nossa vida de lindas borboletas.

A mãe imigrante passa por dificuldades comuns, como viver longe do apoio da família. Você também vive esse desafio de ser uma mãe imigrante?
Sim, muito. Meus pais vieram para Nova York acompanhar meu parto, mas eles trabalham, então só conseguiram ficar aqui por duas semanas. De repente nos vimos sozinhos, com um bebê pequenininho. Sem babá, sem família. Foi mesmo muito difícil. Passamos os seis primeiros meses de vida do Matias assim, organizando os nossos horários para darmos toda a atenção que queríamos a ele. Eu estou amamentando desde o nascimento dele, e isso exige uma grande disponibilidade que eu me obriguei a ter por causa do meu desejo de amamentar. Que, aliás, acho um dos momentos mais maravilhosos da maternidade. Mas, com isso, acordar algumas vezes de madrugada era parte da rotina. De repente o Matias começou a acordar várias vezes durante a noite, chorar com gases ou chorar aparentemente sem motivo. E eu me dei conta de que existe um certo romantismo de que é tudo muito lindo, muito mágico, de que você entende o choro do bebê, ele se comunica com você. Mas quando chega o dia-a-dia, pode ser mesmo muito duro. Muitas e muitas vezes você não faz ideia do que está acontecendo e tem aquele impulso de querer resolver tudo para o seu filho, fazer com que ele não chore nem por um segundo. E isso, sem a família por perto, pode ser ainda mais sacrificante. Somos todos humanos e essa demanda é mesmo cansativa, tem um custo emocional e físico enorme. Maternidade é intensidade. Tudo é demais.

Como você concilia o trabalho de jornalista da Rede Globo Internacional às responsabilidades diárias da maternidade?
O “Globo Notícia Américas” é um apanhado da semana, então eu acabo trabalhando um pouco todos os dias, montando o que vai ser o jornal de domingo. Nos organizamos para que o Francisco não trabalhe nos dias em que gravo e tenho que estar fora de casa. No começo foi muito angustiante estar longe do Matias. Na verdade, ainda é. Mas aos poucos as coisas vão entrando nos eixos e hoje acho que conseguimos um equilíbrio que faz tanto o meu trabalho quanto o meu papel de mãe serem mais intensos e mais felizes. Mas continuo fazendo questão de amamentar e estar com ele o máximo possível, por isso às vezes é corrido sair de um lugar para o outro. Nosso dia começa às 6:30 AM, quando ele acorda. Tem dias em que marco reuniões bem cedo para correr para casa e dar de mamar às 11 AM. Depois que ele se alimenta, brincamos, saio de novo para outro compromisso e volto às 2 PM para a outra mamada. Tento passar quase todas as tardes com ele, a não ser que esteja gravando. Aí o Francisco fica.

Nesse mundo em que vivemos hoje, qual a sua maior preocupação com o futuro do seu filho?
Eu quero que o meu filho se sinta muito amado, sempre, e distribua muito amor. Minha maior preocupação é com a proliferação de discursos de ódio e exclusão. Ele é americano, mas também é brasileiro e português. Quero que ele veja essa multiplicidade como uma beleza que faz parte de quem ele é e espero que ele saiba lutar contra qualquer tipo de exclusão com força, coragem e bondade.

Pretende ter mais filhos?
Não. Para mim, a coisa mais fantástica nessa experiência tem sido testemunhar um ser humano se tornando alguém cada vez mais complexo, curioso, interessado. Quero aproveitar isso intensamente e agora, sabendo da intensidade que é ter um filho, acredito que para mim seria muito difícil vivenciar toda a caminhada do Matias tendo que cuidar de outro bebê. Admiro muito mulheres que conseguem conciliar isso, mas para mim vai ser só ele mesmo.

Gostaria que o seu filho também tivesse a experiência de viver em outro país, como a sua própria experiência?
Ele já nasceu com três cidadanias, então não sei bem para ele o que vai ser “outro país”. Pelo menos três países (e, no caso da União Europeia, um continente) são a casa dele, e espero que ele tenha, sim, a oportunidade de viver em muitos lugares. Quanto mais pessoas, lugares e experiências diferentes passarem pela vida dele, melhor. Quero que ele entenda, por exemplo, que há países em que abraçar o outro é considerado invasivo, como em alguns lugares dos Estados Unidos. Mas que isso não é uma regra, não é um impulso do ser humano, e sim um acordo social. Quero que ele saiba que abraçar é bom, bem visto, e bem recebido em muitos lugares. Quero que ele entenda que há pessoas que acreditam que quanto menor a presença do Estado nas nossas vidas, melhor, mas que também há países que funcionam muito bem com um governo presente. E por aí vai. Sei que parece muita coisa a se pensar quando ele ainda é um bebezinho, mas já estou antecipando as perguntas que vem por aí na fase dos “porquês”...

Qual a sua opinião sobre o uso excessivo da tecnologia na vida das crianças? Como lida com essa nova realidade?
Eu tento não ser radical em nada com ele. Na verdade, a única coisa em que fui mais insistente foi com a alimentação. Gosto de fazer a comida dele em casa e quero amamentar até quando for possível, pelo menos até ele completar um ano. Ele ainda é muito pequeno, então não brinca no iPad e não vê televisão. Mas fala com os avós por Facetime todos os dias e adora. É lindo ver como ele já reconhece cada um deles e abre um sorriso quando eles aparecem do outro lado da tela. Isso é um privilégio da nossa época. Imagina, mesmo aqui, ele poder ver os avós que estão tantos quilômetros distantes. É maravilhoso.

O que você mais gosta de fazer quando está com o seu filho?
Moramos numa cidade que nos oferece muita coisa e eu e o meu marido sempre gostamos de aproveitar Nova York ao máximo. Quando o Matias chegou, tentamos incluí-lo nessa rotina. Levamos o Matias a um museu toda semana, à biblioteca todos os dias e ao parque sempre que o tempo está bom. Gosto muito de ler para ele e deixo ele devorar (literalmente) todos os livros, para que não tenha medo deles e sinta que a leitura é uma companheira e não algo a temer. Também estamos sempre encontrando nossos amigos, indo a restaurantes, viajando, e ele gosta muito de tudo isso. É difícil apontar uma só coisa. Gosto mesmo e é de fazer várias coisas com ele.

Você acha importante manter o português e a cultura brasileira em casa?
Sim, acho muito importante e essa sempre foi uma prioridade para a gente. Temos vários livros em português e traduzimos para o português (escrevendo em cada página mesmo) todos os livros que ele tem em inglês. Ele ama o escritor infantil Eric Carle, por exemplo, então temos vários livros dele com as traduções. Tenho certeza de que o inglês dele será perfeito, afinal, ele mora aqui. Vivemos em um bairro latino, Washington Heights, então também acreditamos que ele vá ter familiaridade com o espanhol. Às vezes leio para ele em francês, só para ele ter proximidade com os sons, mas a prioridade é mesmo o português. Eu e o pai só falamos entre nós e com ele em português e, como disse, ele fala com os avós todos os dias pelo Facetime. Também ouvimos música brasileira o tempo todo. Acho que ensinar nossos filhos a falar português é um grande desafio, mas o melhor presente que podemos dar a eles.

Fale um pouco sobre o seu trabalho na Globo Internacional e os seus projetos profissionais.
A Globo Internacional está cada vez mais voltada para os brasileiros que vivem aqui. Como imigrante e telespectadora, eu me sinto ouvida e atendida pelo canal . A programação tem sido mais direcionada a quem mora aqui e, como profissional, é um privilégio fazer um jornal que tenha como principal objetivo informar os brasileiros que vivem aqui, levar serviços e conhecimentos que possam melhorar as nossas vidas. A cada dia o Globo Notícia Américas vem ganhando mais recursos, como os nossos colaboradores (que já estão em várias partes das Américas), a nossa parceria com a ONU News, e os boletins, que trouxeram uma dinâmica incrível para o jornal, que agora faz parte de todos os nossos dias, e não apenas dos domingos. É maravilhoso ver esse crescimento. Além disso, eu sou professora no Lehman College, da City University of New York, a maior universidade pública urbana do país. É uma profissão muito gratificante. E trata-se de um campus majoritariamente latino, então eu me sinto contribuindo para a nossa comunidade de várias maneiras diferentes. É uma alegria enorme.

Uma frase que defina “Ser mãe”.
Ser mãe é viver tudo —o amor, a dúvida, a coragem, o medo, a força, a vulnerabilidade, o altruísmo— com a máxima intensidade possível.

 

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